InDigNóId #1!! El Secreto de la Nación!

O Indignóid chega hoje de contagem zerada, pra entregar a chave de sua porta para o jornalista e editor do Cansei de Ser Cowboy!

No texto que orgulhosamente está a seguir, este audacioso cowboy das letras nos trouxe brasilidades tão argentinas quanto as argentinidades podem ser brasileiras!

Sem contar é claro, que isso é só um ponto de partida pra otras cositas más!

Confira!

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El Secreto de la Nación

As cenas iniciais do vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2009, o argentino “O Segredo dos seus Olhos” (El secreto de sus ojos, 2009) são embasbacantes.
O ar de mistério que a falta de foco, narração e música impõem irão fisgar até o mais anti-argentino dos espectadores brasileiros.

Mas além de uma história empolgante e surpreendente (com direito a um final à la “Os Suspeitos”), a audiência brasileira em especial poderá se identificar neste drama policial, pois debaixo de todo o estilo e pose portenha, os conflitos e preconceitos revelados no decorrer do filme são velhos conhecidos nossos.

O filme é narrado em dois tempos, 1999 e em torno de 1974. O assistente judiciário Benjamín Espósito, vivido pelo Antônio Fagundes argentino, Ricardo Darín (ele está em todas!) se envolve na investigação do brutal assassinato de uma garota. Logo no começo da investigação a advogada Irene Menéndez-Hastings (Soledad Villamil) entra para o serviço do gabinete do mesmo juiz.

Começamos olhando este gabinete: seja nos anos 70 ou 90, os detalhes sutilmente destacados pelo diretor Juan José Campanella servem como um retrato da Justiça argentina: pilhas de papel, funcionários de má vontade, estagiários sem noção e uma doentia luta de egos entre incompetentes nos bastidores das varas. Qualquer semelhança com o sistema judiciário brasileiro não é mera coincidência.

É nesta luta de egos que um dos vários conflitos do filme se revela, quando um assistente judiciário de outro gabinete enquadra dois imigrantes como os culpados do crime e declara o caso encerrado. Espósito leva isto para o lado pessoal, como era de se esperar, e ataca fisicamente o agente.

Ele então toma a iniciativa de investigar o crime por conta própria, eventualmente encontrando o real culpado com a ajuda de Irene, pela qual ele se apaixona, porém nunca chega a revelar seus sentimentos por se julgar menos do que a “doutora”. Por várias vezes ele corrige os estagiários que o chamam de “doutor”, colocando-se em seu lugar e ao mesmo tempo colocando-se acima de alguém.

A hombridade de Romano, o assistente rival, é ferida com o ataque e a condenação do real culpado e, alguns anos depois, assumindo um cargo político dentro do partido peronista, ele liberta o assassino por decreto e o emprega como segurança de sua agência governamental. Só aí já temos mais dois pontos de contato com mais uma de nossas “tradições”, o abuso do poder público. Agentes do governo estão acima da lei. A fé pública vira algo próximo de um poder absoluto.

Confrontando mais uma vez Romano, Benjamín e Irene buscam explicações no gabinete deste. É triste assistir a vitória do vilão da história, pois é isto que acontece no filme, com Romano dizendo que pode “fazer muito mal” para a carreira dos dois, especialmente Espósito. Irene pode sair ilesa, por ser uma Menéndez-Hastings, uma família de prestígio. Quantas vezes não presenciamos vilões triunfando no Brasil? Por exemplo, o sobrenome Sarney ou Magalhães é uma das melhores garantia de sobrevivência que um brasileiro pode pedir.

Estes e outros pequenos segredos, nem tão secretos assim, aproximam nossos dois países, de uma forma bem menos lisonjeira do que os nossos espetaculares times de futebol. Mas, quem está assistindo?

Cheers!

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