InteRcALoS #4!!!!

INTERVALO 1:

Amar uma banda é complicado. Você se condena a uma relação eterna e platônica, se toma de ansiedades quando seu amor não dá notícias (a.k.a quando não lançam álbuns novos e turnês só nos seus sonhos mais lindos!). Isso sem contar as pessoas te tomam por imaturo, infantil, e vem sempre acompanhadas de comentários como “mas ainda nessa história de banda?”, que não fazem o menor sentido!

Todo mundo que acompanha o MuSicaNoiD deve imaginar que é dessa paixão que nasceu tudo isso daqui.

É um amor raro, daqueles incondicionais, que só quem sente o mesmo entende. É preciso já ter sido tomado fisicamente pela música pra saber do que estou falando. Quando aquele som toca – e geralmente isso acontece quando se escuta pela primeira vez aqueeeela banda (assim mesmo, com vários “es”) – arrepios invadem o corpo em sinal de um pensamento explícito:

“Esse som realmente existe?????”

A partir daí, as composições viram companheiras de todos os momentos (abençoado seja o cara que inventou o walkmen que eu carregava pra cima e pra baixo quando criança!). E além desse entusiasmo inicial, é preciso ter sido curado pela música nos momentos dos mais diversos problemas e zicas da vida pra saber do seu poder e querer sempre tê-la por perto.

Sim, sou adepta de um musicismo sem limites e estou sempre de ouvidos abertos, disposta a aumentar o repertório de sensações sonoras que lavam corpo e alma.

E um desses inesquecíveis momentos cheios de pontos de exclamação data do início dos anos 90, quando uma fita de vídeo me mostrou clipes da norte-americana W.A.S.P!! Uma sequência incrível de I WANNA BE SOMEBODY, WILD CHILD e BLIND IN TEXAS foi o que bastou pra acender uma das minhas maiores paixões musicais!


BLIND IN TEXAS…tudo de bom!!! Me entende agora?

Já era fã de hard-rock, mas o grupo – liderado por ninguém menos do que BLACKIE LAWLESS, também no baixo, e que contava ainda com a guitarra monster de CHRIS HOLMES, e músicos como RANDY PIPER na outra guita e TONY RICHARDS na bateria – era mais, trazia uma sonoridade toda deles: o HARD n HEAVY!


O cara….

INTERVALO 2!

Nos anos 80, BLACKIE já disse a que veio quando chegou incendidando com composições como ANIMAL (FUCK LIKE A BEAST), L.O.V.E Machine, HELLION, THE MANIMAL, THE REAL ME e muitas, muitas outras! O fogo era resultado imediato da mistura perigosa do ritmo contagiante do hard-rock com o peso do heavy metal, envoltos nas posturas de palco da banda, que sempre foram um show à parte.

Devo meu conhecimento maior sobre o som e a biografia da banda a dois outros viciados como eu (valeu Sérgio Mazul e Andy Nasty!) que me apresentaram os maravilhosos álbuns ao vivo como o LIVE…IN THE RAW (1987) e o DOUBLE LIVE ASSASSINS (1998), todo o material de vídeo dos caras e fases deliciosamente pesadas como o KILL, FUCK, DIE (1997).

Mas confesso que foi o CRIMSON IDOL (1992) que fez o tesão apaixonado e antigo virar amor… Sempre me impressionei com a união do HARD n HEAVY do qual eles são mestres, da força do som, senão, e principalmente pela singularidade inimitável do vocal de Mr.LAWLESS, mas o CRIMSON trouxe mais!


Contra-capa do CRIMSON…ah, o CRIMSON…

É um trabalho de uma sonoridade diferente, que abre espaço para se sentir ao final do álbum você conhece não só mais das facetas do músico e compositor BLACKIE LAWLESS, mas do homem por trás da música.

Através da história do fictício rockstar JONATHAN STEEL,
LAWLESS falou muito do que havia aprendido do lado obscuro da fama, e essa foi a ideia, como ele revelou em uma entrevista, na época do lançamento do CRIMSON. Tantas pessoas se aproximavam dele e perguntavam sobre o caminho para se tornar um rockstar que ele simplesmente resolveu contar a elas pior dessa estrada, “e se elas quiserem seguir em frente mesmo assim, que assim seja”.

Músicas como THE INVISIBLE BOY, THE IDOL, I AM ONE e CHAINSAW CHARLIE mantiveram o peso habitual de LAWLESS, mas são acompanhadas de uma expressividade diferente, que nos vocais vai do extremo de seus típicos drives que parecem invocar raiva e libertação à melodiosas linhas de voz que soam perfeitamente a dor, como na belíssima HOLD ON TO MY HEART, tida por ele mesmo como uma das melhores músicas que já compôs.

O tempo passou e é claro que em 2005, no show da turnê do THE NEON GOD (2004), eu estava lá. Pra quem não foi, te conto os prós e contras. Setlist fodástico, com clássicos de enlouquecer qualquer fã e BLACKIE superando toda expectativa quando cantou aproximadamente 3 músicas na sequência praticamente sem microfone!!! Os contras? Problemas técnicos como esse aborreceram e muito a banda e alvoroçaram o público quando isso quase foi motivo de cancelamento do show!! Sem contar que não houve autógrafos após a apresentação, pra frustração dos fanáticos que se espremiam na grade em frente a entrada do backstage, que só saíram dali vencidos pelo cansaço.


Eu tava lá!!!

A expectativa pra turnê do BABYLON, nesse final de semana, nem precisa enfatizar, é enorme e mobiliza fãs do país inteiro desde os boatos em fevereiro. Isso sem falar no susto dos recentes cancelamentos que deixou todos tremendo de ingressos na mão! Mas para felicidade geral dos brazucas, os shows paulista e curitiboca vão rolar sem dúvida! (Sem problemas técnicos dessa vez, all right?)

O show promete um set impecável, BLACKIE vem acompanhado por DOUG BLAIR na guitarra, MIKE DUDA no baixo e MIKE DUPKE na bateria e o público das comunidades promete comparecer em peso e medida pra ocasião, que tem tudo pra ser uma noite inesquecível!


Que assim seja!!

INTERCALOS…

Poderia escrever muitas outras linhas e parágrafos pra definir a importância das composições de LAWLESS e seu W.A.S.P na minha formação musical, afinal não foram poucas as vezes em que libertei todo o stress dos músculos e nervos subindo o volume de músicas como ON YOUR KNEES, KILL YOUR PRETTY FACE, U, ou que dei a partida pra muitas noites de rock n roll com o play em HELLDORADO, MERCY e TORMENTOR!

Além do dom de BLACKIE em arrepiar ouvidos femininos com os sussurros de 9.5 N.A.S.T.Y e das já mencionadas WILD CHILD e L.O.V.E MACHINE, também estão impressas na memória o quanto as baladas SLEEPING IN THE FIRE, CRIES IN THE NIGHT e FOREVER FREE foram essenciais,como ainda são em momentos bem específicos…

O fato é que muitas vezes existe uma tendência a se achar que o melhor ficou para o começo da história certo? E que nada poderá superar aquelas primeiras sensações…


O cara e os caras das antigas…nostalgia!

Entretanto, contudo e todavia veio Mr.LAWLESS, 28 anos depois do início de sua carreira, me dizer o contrário quando ouvi BABYLON (2009) pela primeira vez! Um amigo já havia me prevenido que era um dos melhores álbuns da banda e eu achei que era discurso de fã.

O fato é que é fato! Desde o início dos acordes de CRAZY, primeira música desse trabalho, um fã de W.A.S.P sabe que muitos arrepios vão rolar! LIVE TO DIE ANOTHER DAY contagia como os primeiros sucessos mais harderos da banda pra em seguida o peso retornar à toda no polêmico hit BABYLON´S BURNING!

Duvida? Então baixaí!


BLACKIE e seu BABYLON, o vigor de 28 anos atrás!?!?!

Ainda tem muita coisa boa como a versão de BURN (imagine o que significou pra mim, que sempre quis ouvir DEEP PURPLE na voz de BLACKIE?!?!?!?), INTO THE FIRE e mais.
A balada GODLESS RUN merece comentário à parte, porque sua levada hipnotizante e sua letra extremamente forte me emocionaram de tal forma, que esta ficou no meu repeat por muito tempo e será sem dúvida um dos pontos altíssimos do show para esta que aqui escreve…

“Lost on this road to be
Someone I would find
Pride for the fall to be
The heart becomes blind
I rise my eyes to see
A mirror that lied to me
Find time’s gone and made me be
Afraid of the younger man
I used to be”

BLACKIE LAWLESS além de ser um artista sempre muito aguardado por mim, é uma pessoa que admiro por um engajamento que vem de longe, o que já em 1992 ele deixou claro quando disse que o “Rock n roll deveria ser sobre revolução e anarquia, e quando você vê algo errado, você diz algo à respeito”. Confere na íntegra o vídeo:

E em entrevista a SLEAZE ROXX no início desse ano, ele reforçou que dizer o que pensa continua sendo seu jeito de fazer rock n roll: “você tem que ser capaz de quebrar o crânio e abri-lo pra permitir que as pessoas andem descalças dentro da sua cabeça pra que elas saibam o que acontece lá dentro”.

Agora abro a minha pra convida-los a pensar: como, de repente, o que você achou que não poderia ficar melhor, de repente fica??? Tinha tempo que não ouvia um som do W.A.S.P que não deixasse saudade de absolutamente nada do que passou!! BABYLON reúne o vigor, a intensidade, a reflexão, o hard, o heavy e de repente sou como a pirralha que o ouviu pela primeira vez…

Como pode??? Está aí, gravado e assinado BLACKIE LAWLESS embaixo, comprovando que pode!


LAWLESS: superando expectativas

E o quê fazer? Não perder tempo é claro!!!!! E reunir até o que não se pode gastar pra assistir a uma apresentação que simplesmente tenho certeza que será única e marcante!

É como se de repente, na vida que você tinha certeza que conhecia “de cor e salteado”, tudo virasse do avesso e por exemplo, você… conhecesse o amor da sua vida! E como se não bastasse isso, você ainda tem certeza disso!!!

Não sabe como a música foi composta, mas a harmonia dela de repente é tudo, TUDO e mais um pouco! Não importa como ela termina também, contanto que continue tocando no mesmo ritmo, que arrepia o corpo, descompassa as batidas internas, faz suar frio e naquele riff sem igual te faz pensar:

“VOCÊ existe mesmo???????????????????”

O quê fazer quando a vida que era essa vira aquela que nunca foi? Você não largaria tudo, compraria teu ingresso pra ir nesse show e lá torceria pra não acabar nunca?????

Foi o que eu fiz!

see ya!
😉

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