Indignóid Edição Especial!

No Musicanoid, quem se indigna, está no INDIGNÓID! Mas veja bem, não basta indignar-se para estar por aqui, porque convenhamos: de indignação o mundo está cheio!

O radar do Noid captou as letras de um jovem jornalista, criador e editor do canseidesercowboy, e há tempos vem querendo em contar com sua astúcia pra trazer mais de uma indignação bem pensada e bem feita por aqui!

Além de tudo atentem! Guevarista, filosofista (entenda-se por uma mutação da geração X que gerou filósofos-jornalistas), sempre construindo pilares de reflexão contemporânea a partir de pensamentos não-lineares!

Ah! E já se sabe que ele faz pastéis de primeira!
O quê mais? Só lendo pra saber!

Confira!
Indignóid orgulhosamente apresenta…

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Desemprego e a divisão realmente social do trabalho

Saindo de ônibus de Havana eu me deparei com uma cena pitoresca: 4 homens cortavam o capim no entorno de um viaduto com facões. Sim, facões! Dobrados, eles atacavam a base do capim, que não estava tão alto para justificar tal ferramenta, e o cortavam em maços, que eram jogados fora. Acostumado com as roçadeiras modernas de fio daqui, demorei muito para entender o que estava acontecendo.

Talvez agora eu tenha conseguido, juntando um conceito ali, uma observação aqui e uma teoria própria não comprovada ali.

Recentemente comecei a entender o conceito de divisão social do trabalho. A produção de um certo bem pode aumentar desproporcionalmente, seja por melhoria técnica ou falta de consumo, e a mão de obra ociosa que se dedicava a esta produção precisa se ocupar de outra atividade.

Na teoria parece fácil. Mas, e se não existem bens a produzir? Se não há consumo, nem progresso técnico… onde empregar esta força ociosa? Em Cuba é emblemática a presença de 3, 4 porteiros em um prédio governamental. Fazendo absolutamente nada com um zelo revolucionário às vezes emocionante…


…Ou às vezes simplesmente fazendo nada.

Outro conceito econômico interessante é de que deve existir uma massa de desempregados em todos os momentos. Para equilibrar salários, entre outras coisas. De novo, em teoria é fácil.
Mas, quanta coisa existe para fazer neste país, seja consertar um poste, varrer uma rua, fazer uma calçada ou dar cursos de alfabetização! Parece e é um desperdício de potencial humano a aplicação deste conceito, na qual nosso país parece ser especialista, com a rede de proteção governamental que foi elaborada especialmente na última década.

Esperar que um desempregado continue consumindo, para aquecer a economia e essencialmente abrir a sua própria vaga de emprego é uma contradição entre a intervenção ferrenha do Estado na economia que vivemos (juros altos, assistencialismo) e a prática do laissez-faire dos bichos-papões neo-liberais.

A solução cubana é extrema (afinal, eles vivem uma Revolução) mas, mais uma vez a solução parece estar no meio termo.

Ao invés de salário-desemprego e múltiplas “Bolsas”, o governo poderia “empregar” estes desempregados em áreas que o Brasil tanto necessita, dando-lhes real dignidade e uma oportunidade de crescimento.

Quem disse que um administrador desempregado não pode se encontrar como funcionário público? Um pedreiro virar um operário de asfaltagem? Um programador se tornar um professor?

Os cargos podem ser temporários, mas as experiências não. O cidadão se reconstrói e se reinventa.


De uma derrota ele conquista uma vitória,
não só para ele mas para o país.

Cheers!

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2 thoughts on “Indignóid Edição Especial!

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