IntErCaLOS #2!!

INTERVALO 1:

Foram 30.000 pessoas e eu não era uma delas… Há EXATAMENTE um ANO atrás, o esperadíssimo festival JUST A FEST tomou conta dos ânimos de pessoas Brasil à fora, em ansiedades aceleradas para ver o primeiro show do RADIOHEAD em terreno nacional (muito bem acompanhados po LOS HERMANOS e KRAFTWERK)!
O show do Rio de Janeiro só bombou a expectativa do público do show paulista, porque foi comentado pela crítica como simplesmente o MELHOR SHOW DE TODOS OS TEMPOS!
Um set list fodástico abrangeu músicas de toda a carreira do amado grupo britânico e a adoração praticamente religiosa dos fãs brazucas deve ter deixado a banda fascinada pelo país.
Pra quem foi no show aqui vai o setlist, em nome da nostalgia, e pra quem não foi, como eu, é pra roer as unhas por não ter presenciado este que, mais do que um show, foi um fenômeno humano!
(Já explico!)

01. 15 Step
02. There There
03. The National Anthem
04. All I Need
05. Pyramid Song
06. Karma Police
07. Nude
08. Weird Fishes/Arpeggi
09. The Gloaming
10. Talk Show Host
11. Optimistic
12. Faust Arp
13. Jigsaw Falling Into Place
14. Idioteque
15. Climbing Up The Walls
16. Exit Music (For A Film)
17. Bodysnatchers
18. Videotape
19. Paranoid Android
20. Fake Plastic Trees
21. Lucky
22. Reckoner
23. House of Cards
24. You and Whose Army
25. Everything In Its Right Place
26. Creep

Muita música clássica da banda faltou no set, deixando os fãs com sede de muito mais do que as mais de duas horas de apresentação, mas é sempre assim, né? Na vida, tudo que é excepcional e marcante nunca é demais!
E melhor do que qualquer palavra pra explicar o show dos caras, é assistir um vídeo como esse (obrigaaado galera que filmou e youtubou!!), de momentos arrepiantes do show, quando tocaram PARANOID ANDROID. Se liga no delírio dos fãs, no espetáculo que foi o casamento entre música, luzes, projeções em telões e a performance da banda!!!!


E ainda teve o coro do público cantando RAIN DOWN, que não foi caprtado por esse vídeo, que emocionou a banda e fez THOM YORKE
retomar a música pra acompanhar o público!

Certamente inesquecível pra quem estava lá, tanto quanto para os goiabas sem grana como eu, que assistiram o show pela TV, na picotadíssima edição da MULTISHOW >( , RADIOHEAD em SP foi o começo da minha adoração sem limites por essa banda!

INTERVALO 2!

Show à parte, já vinha curiosa pelo RADIOHEADCISMO, uma espécie de religião/fanatismo que nutriam dois grandes amigos meus (obrigaaaaaada BONHO e JUDY, dedico isso aqui à vocês!!!). Perguntei inocentemente (já que naquele tempo de não muito tempo atrás eu só conhecia hits como CREEP, FAKE PLASTIC TREES e HIGH AND DRY) “o que essa banda tem de mais?”.
A resposta foi um grande “PFFFFFFF!!!!!” da parte dos dois, seguida por discursos apaixonados da filosofia musical e concluído com um: “Só escutando pra você saber!”.
O show foi todo o nitrogênio que eu precisava pra explodir a paixão e ela se tornar amor! Nunca vou esquecer da cena, na sala de casa, com as luzes apagadas (pra ritualizar), uma taça de vinho do meu lado (pra consolar) e a minha cara catatônica admirando nas polegadas da TV um espetáculo VISCERAL!!!

A performance de palco de todos da banda, especialmente as expressões corporais e faciais de THOM YORKE, já eram um convite a um transe. O mergulho dos caras em suas composições é inspirador e as músicas…ah as músicas!!! Embrenhadas naquela literal chuva de luzes coloridas, foi a abertura de outra dimensão!!

No dia seguinte ao show, lá estava eu, com sede, sede, SEDE de RADIOHEAD, baixando TODOS os álbuns e devorando cada um deles num volume perturbador! (para os vizinhos, é claro!)
Hoje, sou uma das pessoas mais RADIOHÉDICAS que você pode imaginar e estou sempre (SEMPRE!) atenta a qualquer lançamento, boato de show (ROCK N RIO 2011?) versões de outros artistas pras músicas deles e qualquer novidade que apareça!
Curtam essa jóia youtubiana de um quarteto de violinos tocando PARANOID ANDROID! Emocionante…

Homenagear um show que eu não fui??? Calma lá, não é loucura, é amor, purinho, pela arte de uma banda que fala de mim, como de cada fã, como nós não poderíamos!

INTERVALO 3! (porque dois foi muito pouco!)

“Acho que fui abduzida!”, foi um dos comentários pós-show feito por uma amiga fanática por RADIOHEAD. “Depois disso, minha vida nunca mais será a mesma!”, foi outro. Eles ainda me contaram que a multidão que saía do show parecia toda a mesma pessoa, nos milhares de rostos suados, esgotados pelo turbilhão de emoções dadas de presente pelo show, com expressões dopadas, como se não acreditassem
no que acabaram de ver
e ainda assim, caminhavam sem pressa, pra tentar preservar aquela sensação única despertada por música, banda, luz e união de vozes delirando juntas pelo mesmo motivo: THE FUCKING MUSIC!

É claro que músicas como WHERE DO I END AND YOU BEGIN, com a porrada do baixo de COLIN GREENWOOD retumbando nos ouvidos devem ter feito muita falta, assim como o fodástico riff de guitarra de JOHNNY GREENWOOD em AIRBAG teria sido uma boa pedida, além das lágrimas que teriam rolado soltas se tivessem tocado NO SURPRISES…


Cara, olha isso…

Mas pra compensar, o maravilhoso baixo em THE NATIONAL ANTHEM, logo em seguida da eletrizante THERE THERE deve ter sido de uma adrenalina quase sem igual!
Digo QUASE porque o quarteto entre ALL I NEED/PYRAMID SONG/KARMA POLICE/NUDE deve ter sido digno de uma alucinação de primeira! (Por isso que eu digo: drogas pra quê?). Além disso, ouvir músicas do álbum a turnê, como BODYSNATCHERS e RECKONER mostrou que a excelência musical deles não é coisa do passado. Sem falar no que teria sido pra minha ouvir ao vivo músicas dignas de qualquer antologia musical, como IDIOTEQUE e o teclado inesquecível de THOM em YOU AND WHOSE ARMY?.


RADIOHEAD & meus ouvidos: é pra sempre!

INTERCALOS…

Pra quem leu o INTERCALOS #1 sabe que essa é uma coluna de comportamento e que mais cedo ou mais tarde, a arte do intervalo vai se misturar com os calos da vida!

ARE YOU READY? Let´s play!

O bacana é que RADIOHEAD é uma escola que não acaba nunca! Sempre tem uma letra que de repente faz mais sentido de acordo com a fase que você está passando, como por exemplo, quanto tempo MY IRON LUNG foi meu lema?

“Faith, you´re driving me away,
You do it everyday,
You din´t mean it,
But it hurts like hell”.

Quantas vezes não derramei minhas desilusões com a trilha sonora de LET DOWN?

“One day, I´ll grow wings,
A chemical reaction,
Histerial and useless
Histerical and…

Let Down and hanging around,
Crushed like a bus in the ground,
Let down and hanging around,

Let down again…”

Sempre tem aquela música que, de acordo com teu humor, te faz companhia melhor do que qualquer pessoa faria! RADIOHEAD é uma caixa de chocolates (e olha que eu sou chocólatra então isso é um baita elogio!) da melhor qualidade pra qualquer degustador da música. Cada álbum traz uma novidade, e a banda reflete a vida, sempre muda, vira a esquina, incorpora mais elementos, mergulha em novas fases, como a vida faz o tempo todo (se você está vivo de verdade!).

Álbuns maravilhosos como o PABLO HONEY (1993) e o THE BENDS (1995) me remetem à adolescência, com sua pegada rock n roll de músicas como YOU, ANYONE CAN PLAY GUITAR e JUST.
Baladas como HIGH AND DRY me acompanham até hoje nos momentos em que sensações tipicamente adolescentes tomam conta.


dispensa comentários…

O OK COMPUTER (1997), considerado marco da música dos anos 90 e também o trabalho que os levou à fama mundial, me leva pra vida adulta, quando damos de cara com preocupações e anisedades dessa fase, bem como canta NO SURPRISES:

“A heart that´s full up like like a landfill
A job that slowly kills you
Bruises that won´t heal”

…pra depois pedir descanso no refrão:

“No alarms and no surprises (let me out of here)
No alarms and no surprises, please (let out of here)”

Sempre escuto PARANOID ANDROID quando preciso desabafar com o…

“Rain down,rain down,
come on rain down,
from a great height,
from a great height…height”

…que é alívio imediato!

O KID A (2000), com a incorporação do eletrônico, traz aquelas músicas que a princípio teu ouvido pode estranhar, mas assim como a vida é esquisita às vezes, composições como IDIOTEQUE e OPTIMISTIC são minhas grandes companheiras quando estou perdida ou simplesmente p*** da vida ! E no mesmo álbum, EVERYTHING IS IN IT´S RIGHT PLACE é literalmente o hit do meu momento atual, e me põe em alfa cada vez que a ouço, porque me sinto como o título canta, raro momento em que tudo está no seu devido lugar, tudo se encaixa bem, sabe?


sem comentários 2…

O AMNESIAC (2001), não menos experimental que o anterior, é mais introspectivo, como essa maturidade que sentimos mais de perto depois de um susto ou outro que a vida dá pra te pôr pra sentar e pensar. PYRAMID SONG e YOU AND WHOSE ARMY? causam esse efeito em mim, com suas belíssimas sequências de teclado, e a força da guitarra em I MIGHT BE WRONG altera o ritmo mas não interrompe a introspecção.

O HAIL TO THE THIEF (2003), quase dispensa comentários porque SCATTERBRAIN, WHEN I END AND YOU BEGIN, o violão da GO TO SLEEP são pérolas musicais, sem falar na batida fabulosa e penetrante das baquetas de PHIL SELWAY em THERE THERE, que abraçada à expressiva dor no vocal de YORKE, fala do desespero de todos nós, numa letra que é uma das minhas favoritas:

“Just cause you feel it, doesn´t mean it´s there,
(there´s someone on your shoulder)
Just cause you feel it, doesn´t mean it´s there…
(there is someone on your shoulder)

Heaven sent you to me
We are accidents waiting
Waiting to happen”


Aumenta o volume, aumenta!!!!

O IN RAINBOWS soa como uma mescla de sensações/reações à vida, porque passar da pira que é ouvir RECKONER, ALL I NEED e NUDE pros ritmos acelerados e empolgantes de BODYSNATCHERS, 15 STEP e a delícia de HOUSE OF CARDS é lembrar que a vida é feita de tudo um pouco.


“I don´t wanna be your friend, I just wanna be your lover, I doesn´t matter how it ends, no matter how it stops”…perfect!

E já que tudo começou com o show que perdi, vamos ao calo de hoje, enfim…o que perdemos e quando ganhamos…

Perdi o show (nada como um free-lancer pra perder um bom show, hehehe..) mas ganho uma nova reflexão e uma nova emoção a cada vez que dou PLAY no som dos caras.
Já parou pra pensar em tudo que perdemos se não ouvirmos atentamente à vida como uma fanática escuta um som que ama?

Pode ser qualquer coisa, neste momento VOCÊ pode estar perdendo a chance de matar a saudade de alguém, de ser promovido no trabalho que você curte, de se apaixonar insanamente, de viajar de improviso pra um lugar que ainda não conhece, só porque não atenta pro fato de que o teu rumo pode se tornar incrível como o som daquela banda que você é viciado!

E num efeito borboleta que a gente despreza, mas que rege todos (TODOS!) nós, qualquer detalhe importa, como cada instrumento desse quinteto sem igual, pra fazer uma composição daquelas de pôr no repeat!
No desespero, na agonia, na dor e no êxtase que sentimos por aí (que eu tanto enfatizei que o RADIOHEAD reproduz como ninguém!), pra ganharmos o bom dos dias, além de tudo que já perdemos, veja bem o que estou falando: TODO detalhe importa!

Pode ser aquela tarde que você deixou de sair porque estava com preguiça, aquela conversa que faltava pra reatar uma amizade, ou uma noite que você saiu SÓ pra ver uma banda, e de repente os teus olhos desinteressados dilatam quando esbarram no rosto de alguém, que a partir dali, simplesmente muda tudo!

Olha, com muita frequência, meus olhos enchem d´água e meu corpo de sensações estupidamente invasivas quando ouço RADIOHEAD. E a lágrima que inunda os olhos teima em não cair logo, talvez porque nem ela consiga desviar a atenção dos acordes que explodem de repente, e enchem os ouvidos com mudanças bruscas de ritmo e entopem o espírito com as mais dissonantes intensidades! A lágrima fica ali, pendurada na beirada os olhos, dizendo: “ESPERA! Espera que eu sei que vem mais! Eu QUERO mais!”

“Abduzidos” por um show, conheço gente que até hoje chora quando lembra do RADIOHEAD no JUST A FEST… Transformados pela atenção que deram com os olhos arregalados e ouvidos abertos na direção de um palco, já pensou no estrago que faríamos se prestássemos atenção nos riffs e batidas que tocamos todo dia???


Pra abduzir qualquer um…

O RADIOHEAD não só me conquistou – porque convenhamos, na música e na vida, conquistar pode ser fácil – mas eles mantém o meu amor, porque o renovam e alimentam a cada álbum, e por isso o recado não é só pra prestar atenção, mas mantê-la, como se o botão do som tivesse emperrado no ON.

Sei do que estou falando, porque recentemente fui pega de surpresa num inesperado detalhe de uma noite que parecia qualquer e….

Ah…….que acordes está rendendo!!!

You want me, well, fuckinkg come on and break the door down,
I´m ready,
I´m ready,
I´m ready…

seeya,
musicanoid off!
😉

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2 thoughts on “IntErCaLOS #2!!

  1. AAAAaaaaah Boooooooo!! Q bom q gostou!!!

    Num fosse tu, esse post nao tava aqui, afinal, oq seria do meu Radioheadcismo sem vc?????

    thanks pelo comment! :DDD

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