Pick up – A vida atrás de uma cabine

Pequeno-longo histórico.
Por favor… primeiro de tudo não ache que falo de uma cabine de Pick Up como sendo um carro. Não amigo, não se trata disso. Na verdade o que quero dizer é uma cabine de Dj mesmo. Sabe aquelas pessoas que comandam a pista de uma balada, de um rave ou qualquer outra coisa parecida? Isso! é isso mesmo! 😉
Enfim… recebi uma proposta para escrever aqui coisas que um DJ ou pseudo DJ como eu, vive atrás do cubículo permeado por milhares de botões e cds (ou vinís) à volta.
Vocês já me conhecem. Posto por aqui desde o princípio desde blog. Mas a partir de hoje, em uma coluna semanal, pretendo mostrar como  funciona essa coisa toda de tocar por aí. Não tenho muito histórico na verdade… afinal, comecei nessa vida à quase um mês. Mas acho que pode se tornar legal mostrar como é o dia-a-dia exatamente de quem tá começando, e o aprendizado que tudo isso passa a ter. Enfim…
Eu sou a Judy Sky. Fui batizada como Juliana Anverce e não levaram tantos anos até eu perceber que tinha uma relação de amor extremo com a música. Ainda pequena, colecionava brinquedos que imitavam instrumentos musicais e passei a levar isso adiante quando estudei música (aí de verdade) durante a adolescência. Entre teorias, partituras, aulas de canto e violão, também passava horas, simplesmente HORAS brincando do que? de DJ. Ao mesmo tempo que escolhia um set e tocava as músicas, as apresentava improvisando uma locução de rádio. Essa última “atividade” que eu fazia em casa logicamente sozinha (porque é claro, você não paga micos assim se passando como locutora de rádio com gente em casa, certo?), me fez escolher a profissão na qual me formo esse ano e que, de certa forma me fez estar aqui, escrevendo: Jornalismo.
Bom, enfim… não quero me prolongar muito. O que quero dizer nessa primeira coluna é contar mais ou menos como começou, pra quem sabe, você que tenha vontade não se aventure pelas baladas por aí. E olha, posso dizer que é BEM legal.
A princípio, fui convidada por um colega DJ, que já é figura carimbada na noite curitibana para estrear uma festa numa casa da cidade. O convite veio no fim do ano passado, mas no mesmo dia em que ele aconteceu, já comecei a pensar em um set. Mudei, refiz e fiz o tal set milhares de vezes até chegar à um que eu achasse que teria algo a ver com a festa, o ambiente e tudo mais.
Eu sei que isso pode parecer idiota, tipo… “ai, montar um set”. Mas há diversas coisas para se pensar no como, quando e quanto a estrutura dele pode envolver muitas coisas. Por exemplo: Hora em que você vai tocar, lugar, proposta e por aí vai. São diversos fatores que podem fazer da sua playlist boa ou não, afinal, quando você escolhe as músicas, quer obviamente colocar as que te agradam, mas também tem que pensar se a batida, o som vai estar de acordo com a que veio anteriormente e com a que vem na sequência. E antes disso, se as pessoas também irão gostar.
É tarefa do DJ mostrar coisas novas, mesmo em muitas vezes ver a pista esvaziar quando você arrisca em algo que raramente toca, ou que absolutamente ninguem conhece. Mas como alguem vai conhecer se não tocar não é mesmo? Até porque, com raras excessões o set de algum DJ executa músicas que bombam na rádio. Rola, claro que rola. Mas sinceramente, pra mim isso é fazer alegria da galera, não cumprir com uma de suas principais tarefas.
Whatever… existe uma distinção entre tocadores e Dj’s. Explico: tocadores são como eu, que ainda estão começando e AINDA não fazem remixes. Dj’s são os que de fato criam e remixam. Ainda aí, existe um certo preconceito entre ambos, o que de fato, não deixa de ser até verdade, porque é claro, qualquer um pode fazer um set analisando os ítens que descrevi acima e sair por aí dizendo que é DJ. Já remixar e fazer a música, é obviamente outra coisa.  Mesmo assim, insisto em dizer que a estrutura de um set faz um DJ, ou pseudo DJ… (como preferirem), sendo tocador ou não. Afinal, não adianta em nada o cara saber remixar e só fazer merda. Né? Então acho que deve haver muita calma nessa discussão.
” e o que você toca?”… pergunta frequente que sempre me fazem.
Bom… gosto de indie rock e toco em baladas de indie rock. Mas gosto muito de electro rock/pop/clash e outras coisas do gênero. E sempre que dá, dou uma empurradinha em coisas como Simian Mobile Disco, LCD SoundSystem, Miss Kittin e até DJ Shadow se duvidar… por aí… mas acho super bacana quando coloco um Duran Duran por exemplo, e a galera curte. É absolutamente normal passar a ouvir coisas mais eletrônicas quando se começa a tocar, mesmo que você tenha uma formação musical com rock clássico e até MPB como eu.
Ficar sempre ligado é outra coisa de suma importância. Se a banda tal lançou álbum novo corre pra baixar! Ouve, anota, presta atenção na estrutura das músicas e vê se rola soltar na pista. Faz alguns testes. Se a galera curtir é bingo! Sim.. é preciso ter um pouco de feeling pra isso. Nem sempre dá certo, mas tem que tentar. Por exemplo… escuta esse som aqui:
Thieves in the night é som do novo álbum do Hot Chip, One Life Stand. Melodia gostosa, batida tranquila… rola início de noite depois de umas 3 músicas executadas, ou lá pro meio, quando a pista tá fervendo e você quer ‘apresentar’ pra galera. De qualquer forma é minha aposta pros próximos meses junto com “Take it in”, primeiro single desse mesmo álbum. Se vai rolar, vamos saber na sequência… haha.
Existem situações e situações. Até hoje me pergunto porque o Passion Pit não colou na maioria das baladas curitibanas. Mas chega por hoje né? falo sobre isso na semana que vem! haha
Hasta! 😉
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